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  • Ana Paula Guerra

Alice não quer abrir os olhos

O escuro fala, ouve, vê e se deixa ser visto. O escuro é implicante. Brinca de aparecer nos pensamentos o tempo todo.


É irmão do silêncio, e quando estão juntos, são carismáticos. Guardam muitos mistérios assustadores que insistem em ficar aparecendo e desaparecendo no mundo interno.


O mundo e o interno

São duas palavras antagônicas, que precisam de cuidadores e cuidados. Medicamentos à base de paciência e autocontrole em altas doses são sempre os mais indicados nesse processo melancólico que faz parte do sistema biológico de Alice.


Mordazes jocosos! E ainda por cima têm a companhia constante um tipo de arlequina sombria e violenta: a depressão, que insiste em convencer Alice de permanecer no país das maravilhas.


Crueldade e poesia

Muito da poesia se deve ao escuro, ao silêncio e à depressão. A escuridão da noite, que traz consigo o escárnio daqueles bêbados que falam todas as verdades. É a voz silenciosa da depressão, com aquela fala arrastada, pernas tropeçando e pensamentos do mundo interno.


O gato de Alice

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Quem é louco? O escuro? O silêncio? A depressão? Ou o sorriso do Gato de Cheshire estaria se referindo ao mundo interno de Alice?


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